
Na esquina da Praça Santos Dumont com a Rua dos Oitis, rua onde eu morei quando era criança, tinha uma chapelaria com vários manequins na vitrine, que só poderiam mesmo atrair, intrigar e assustar uma menina de cinco anos. Com o tempo, a chapelaria fechou, já que ninguém usava mais chapéus, os manequins se foram – não teriam lugar onde hoje é o Braseiro da Gávea.
Quase vinte anos mais tarde, o apartamento da minha mãe foi desalugado e precisava ser limpo para os novos inquilinos, e lá fui eu lá, sabendo que tinham saído e deixado muita coisa para trás, tinha que resolver o que fazer com o que deixaram. Quando abri a porta, dei de cara com um dos meus velhos conhecidos da chapelaria. Levei para casa e convivo com ele até hoje - não é sempre que a gente tem a surpresa de esbarrar com um pedaço inesperado da infância...